Frase do dia
Quem se mata de trabalhar merece morrer mesmo!!!
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 00h58
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Prova irrefutável do aquecimento global.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 00h58
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A Dialética da Mentira
- Mas se não fosse uma mentira, Alice, não teríamos saído das cavernas.
Hélio era o que muitos chamavam de mentiroso-compulsivo, mas enganam-se. Hélio não era daquela espécie corriqueira que acaba crendo nas próprias mentiras, ele era um especialista, um mentiroso-científico-persuasivo, um homem que mesmo flagrado no mais estapafúrdio embuste, desenvolvia, argumentava, provava.
E Hélio não ganhara fama apenas em botequins e happy hours, sua vida acadêmica fora fundada na mentira, por exemplo, sua comentadíssima tese de doutorado foi “Propriedade individual: a mentira que deu certo”, e possuía respaldo, Rousseau: a primeira propriedade nasceu quando um homem disse: - “Isto é meu”, e o outro acreditou. Ou seja, o progresso, a ciência, a modernidade, tudo fruto de uma mentira bem sucedida. – “Não mentir é um atentado contra a evolução da espécie”, Hélio dizia sempre. Alice que não concordava.
- Seu cachorro, sem vergonha, sua mãe doente uma ova, sua mãe está em Búzios. Onde você estava ontem? – O primeiro copo era arremessado contra Hélio. Desviou, o bom mentiroso tem reflexos aguçados.
Era Carnaval. Para a maioria das pessoas, uma data de alegria e festa, mas para Hélio e seus discípulos (sim, já os tinha) era muito mais, o Carnaval era o momento ápice para a experimentação de toda a diversidade de mentiras, lorotas, embustes e disparates que a criatividade humana é capaz de elaborar, o Carnaval era a prova decisória onde o mentiroso comum poderia sair da multidão de seus iguais e alcançar o profissionalismo, e, quem sabe, até mesmo, entrar no rol dos célebres mentirosos (grupo, na maioria, representado por políticos).
- Alice, eu posso explicar, inclusive com referências bibliográficas se necessário. Eu estava... - Diálogo interrompido para esquivar-se de mais um copo.
Hélio estava na Bahia, cantando “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, a verdade era esta, e, ainda, acrescida de muito suor e cerveja. Mas isso não vem ao caso, como o próprio dizia: - “Réu confesso é um homem sem capacidade argumentativa”.
- Você é um mentiroso! Vocês homens são todos mentirosos!
- Alice, não me julgue como um qualquer! Não me coloque no meio da massa, a verdade que é relativa e eu não tenho culpa. Sou profissional! Mamãe não estava doente, é fato, mas eu pensei que estivesse porque...
Desta vez foi um prato e uma esquiva digna de Matrix. É que recém-casados tem pouca louça e, além do mais, quanto maior o objeto, maior a possibilidade de ele vir a colidir-se na testa de um mentiroso, é uma lei da física: A integridade corporal do mentiroso é inversamente proporcional ao tamanho do objeto arremessado contra ele por sua esposa.
- Alice, eu explico... é que... é... o Ricardo, isso! Se lembra do Ricardo?
Alice não respondeu verbalmente, mas comprovou a tese do objeto maior, a travessa de porcelana, presente de casamento, foi indefensável, não respeitou nenhum argumento e acertou em cheio a testa do marido. Hélio caiu no chão inconsciente.
- Ai! Meu amor... – Alice corre acudir Hélio.
Inconsciente?... mentira! Fingimento para adiar as explicações, a velha apelação à compaixão feminina: seu macho, ali, caído no chão, machucado, e por sua culpa. Hélio era um profissional.
A mentira é como os vinhos, precisa de um tempo de maturação, o mentiroso afoito sempre dorme na sala. Mentir é uma arte, requer minuciosa atenção em todos os detalhes, ou como ele diz: - “Mentira apressada e ejaculação precoce não satisfazem mulher nenhuma”.
E lembrem-se, se o embuste do inconsciente não for suficiente para inventar a mentira, alegue amnésia.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 01h30
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Como fazer sucesso na esquerda
Se você está cansado de estudar economia, se não tem mais paciência para analisar a conjuntura da política internacional e pensa que nunca vai conseguir escrever um livro que faça sucesso, seus problemas acabaram. Aí vai a receita infalível de como escrever um best seller em seis meses.
1º Passo: Durante um mês, invente frases bonitas sem nenhum sentido prático. Ex.:
O capitalismo criou as mais diversas mercadorias e os melhores preços, mas nunca soube dar valor à vida de um homem.
Enquanto trabalhadores assistem à fome de seus filhos, os patrões discutem economia.
Como pregar liberdade de expressão quando quem morre de fome não tem direito à palavra.
Os ricos querem direitos, os pobres se contentam com deveres em troca de suas mais básicas necessidades.
Muitos se voltaram contra mim e entre calúnias arrastarão meu nome, mas prosseguirei até calarem minha voz, pois falo em nome de todos aos que eles nunca deram ouvidos.
Se compadecer-se pelos que sofrem é ser revolucionário, que venha a revolução.
E por ai vai. Não se preocupe, demagogia é a mais fácil das produções intelectuais.
Selecione, ao final, as melhores.
2º Passo: Nunca se esqueça de colocar a culpa das desgraças presentes em alguém e abrir espaço para que este possa absorver a culpa das futuras.
Existem culpados clássicos, é perigoso tentar inventar novos. Ex.: O capitalismo, o imperialismo americano, o neoliberalismo, as privatizações, a exploração dos capitais estrangeiros etc.
Não se esqueça, deixe claro que todo o mal presente, futuro ou passado é de total responsabilidade deles.
No segundo mês crie complementos para as frases do primeiro usando seus culpados.
3º Passo: Estude um pouco de economia e política para juntar ao que já foi produzido. Não abuse, algo muito concreto e detalhado estraga as frases (Lembre-se de Marx, 90% dos marxistas não terminou de ler o “Manifesto” porque não entendem nada depois do “proletariado de todo o mundo, uni-vos”).
Não precisa estudar muito, o terceiro mês é o suficiente.
4º Passo: Todos os parágrafos do livro devem conter palavras chaves, que são uma espécie de viagra para a baixa intelectualidade da esquerda. Ex.: Povo, pobres, explorados, revolução, fome, dívida histórica, fraternidade, dividir etc.
O que vier antes ou depois delas pouco importa, nunca perca seu tempo com questões práticas em seu livro.
Este é o trabalho do quarto mês.
5º Passo: Faça previsões, não importa se a história lhe desmentir depois, a esquerda só analisa os aspectos históricos que lhe convém. Faça como Marx, diga bobagens como o socialismo se alastrará pelo mundo e o capitalismo irá fenecer, todos sabemos que Nostradamus acertou mais que Marx em suas previsões e mesmo assim a esquerda não lhe dá tanta fé como a Marx. Faça todas as previsões que quiser, mas não se esqueça das palavras chaves nelas.
Este é o trabalho do quinto mês.
6º Passo: junte tudo num livro no sexto mês.
7º Passo: Publique e crie uma boa estratégia de Marketing (capitalista é claro, se tem uma coisa que o socialismo não entende é a produção de qualquer coisa que não seja meramente ideológica).
8º Passo: Desfrute da glória, dê entrevistas, compre propriedades e desvie-se de debates. Se o debate for inevitável, contra qualquer argumento irrefutável grite palavras como povo, excluídos etc. e diga que a imprensa, o neoliberalismo, os americanos querem te derrubar para continuar a explorar a nação.
Obs: Qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico vai te achar um babaca, mas não se preocupe, o que não falta neste mundo são idiotas para ouvir e aplaudir o primeiro idiota que sobe num caixote para fazer uma gritaria (para eles não é gritaria, se chama discurso este ato).
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 01h34
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Da colônia à barbárie, sem civilização entre meio!
Diante da patifaria instalada na América Latina, fica revogada a decisão em que a pátria é o último refúgio do canalha, a partir desta data é o primeiro (como já bem disse Millôr).
Diante dos vexatórios meios de ludibriar a nação dos governantes da América Latina, surge a necessidade de novas propostas de lei:
- Detenção de 2 a 4 anos para a prática de patriotismo gratuito com fins eleitoreiros e ou demagógicos.
- Detenção de 2 a 4 anos para todo o eleito ou candidato que demagogicamente usar-se de religião ou crença alheia para fins populistas.
- Detenção de 2 a 4 anos para todo o eleito ou candidato que calhordamente utilizar-se dos vocábulos povo, nação, pátria com fins eleitoreiros.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 03h11
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Descoberto o novo Albert Einstein tupiniquim! Eleito por unanimidade, representa as descobertas geniais da nação e o resultado de vastos investimentos educacionais ao longo de tantos governos!
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 04h23
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Nas melhores bancas!!!
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 02h32
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Luana Piovani, a última vítima da mídia sem escrúpulos que prefere acreditar em fatos e duvidar dela!
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 19h01
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Luana Piovani decreta o fim dos direitos autorais
Luana Piovani, há poucos dias, afirmou a imprensa que foi homenageada por Caetano Veloso com a música um sonho, gravada em seu disco “Cê”. Luana disse que agora se sentia como Regina Casé, Sonia Braga e Vera Zimmerman, atrizes também homenageadas pelo cantor baiano. Nas suas palavras:” Um luxo!".
E quando tudo estava “lindo”, Caetano disse que nunca homenagearia uma mulher com a qual nunca tivesse tido um romance, enfim, desmentiu Luana publicamente.
Luana voltou a afirmar que a música era para ela, “desmentindo” Caetano.
Conclusão: No Brasil, antigamente, era pequeno o respeito aos direitos autorais, hoje a situação mudou, não existe nem mais respeito às intenções autorais. A confusão dos projetos políticos e aquela velha história de que “a idéia foi minha e você usou” é coisa do passado, hoje já não importa de quem foi a idéia, para que finalidade foi e muito menos para que serve. Tá tudo caindo, quem pegar é o dono.
Assim, já que está na moda e antes que alguém mais faça, digo que “Intermitências da Morte”, último livro de Saramago, é dedicado a mim. E não me apareçam com conversas inescrupulosas dizendo que ele nega o fato.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 18h59
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Lula, Chavez e Bush são irmãos!
Claro que, não consangüíneos, não se assustem, são apenas irmãos ideológicos.
Os três, sem fundar nenhuma religião, criaram demônios incríveis:
Bush, para ganhar o segundo mandato, demonificou os extremistas do oriente e disse que seu opositor não seria homem suficiente para livrar a América das malignas intenções destes povos.
Chavez demonificou Bush, colocou toda a culpa de suas misérias no Tio Sam e disse que seu adversário era um enviado deste demônio para privar o povo do futuro glorioso da nação.
Lula demonificou as privatizações, disse que seu adversário venderia tudo, que privatizar é a pior coisa do mundo, que todas as desgraças de nosso povo devem-se às empresas capitalistas predadoras parentes do bicho-papão.
Os três inventaram a lógica do absurdo:
Bush: O fato de eles não terem armas nucleares não significa que não sejam um perigo para o fim da hegemonia americana.(???)
Chavez: Não estamos reprimindo a liberdade de imprensa, estamos apenas negando a renovação de concessão a um canal adversário, o que não é o mesmo que proibir suas transmissões. (???)
Lula: Todas as prisões e os escândalos de meu governo só provam que a polícia federal trabalhou como nunca neste mandato. (???)
Os três são perseguidos pela imprensa: Bush, pela imprensa democrata; Lula pela imprensa de direita; Chavez, pela imprensa financiada pelos americanos (este último deu um fim nela).
Os três têm sonhos de grandeza: Bush quer ser o xerife do mundo; Chavez quer inventar o novo socialismo e expandi-lo pela América Latina; Lula quer entrar para história como o melhor presidente do Brasil, ter cadeira permanente na ONU e ser reconhecido como um líder mundial.
Os três têm boas cartas na manga: Chavez tem o dinheiro do petróleo; Bush tem o tabuleiro de War mais caro do mundo; Lula tem inúmeras bolsas segura-voto.
Os três perderam a noção da realidade: Chavez quer ser igual papai Fidel; Bush quer criar mais um Vietnã desastroso e dar matéria para os filmes de Hollywood; Lula inventou o PAC, que de concreto só tem o nome ainda, e já estima crescimentos de 6% (o pior é que agora é amigo do remanescente da ditadura Delfin Neto).
Os três têm certas carências mentais: Lula não sabe de nada; Bush é teimoso que nem uma anta (respeitando a anta, claro); Chavez não compreende a história.
Ponto positivo: Os três são fonte inesgotável para o humor em paródias, charges, piadas e afins.
Ponto negativo: A piada pode ficar sem graça.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 18h19
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A evolução do Pocahontas venezuelano, e a sua eterna tentativa de criar conflito com os americanos para seguir a cartilha de papai Fidel.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 02h27
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O Homem Cinderela
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 22h10
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A LUTA PELA ESPERANÇA
Como releio livros, reassisto a filmes; “reassisto”, uma destas palavras que não existem em dicionário, porém carregam sentidos.
Mas, voltando ao assunto, hoje, revi “A Luta pela Esperança”, aquela história romântica na qual o boxeador, personagem de Russel Crowe, é nocauteado pela quebra da bolsa, e na contagem do “nove” emerge do caos e volta à triunfante vitória do macho primitivo espancando o macho opositor até a derrocada final.
Mas o que me impressiona neste filme nunca foi a tríade sucesso-queda-glória, tão batida em filmes americanos, nem aquele sentimento de vitória que sempre compartilhamos com o mocinho da história no final do filme. O que me impressiona, nesta platônica superação, são as personagens humilhadas em filas de assistencialismo governamental.
Mas não é uma humilhação do mau atendimento de funcionários públicos, rancorosos de sua pouca remuneração, tratando a população como inferiores e preenchendo formulários como um favor. Também, não é uma humilhação dos sorrisos de desprezo e escárnio dos “elevados”, numa estúpida prova de superioridade pelo conteúdo de carteiras ou cérebros.
É o sentimento da humilhação pessoal que me impressiona.
O homem resignado à necessidade de uma esmola, obrigado a abandonar todo seu amor-próprio e esperar cabisbaixo uns trocados de seu amado governo.
Quando vejo esta cena sempre penso em nosso país. Penso na extrema esquerda, ainda fascinada pelo sonho utópico do socialismo, gritando insultos de traidor para Lula, penso na esquerda moderada, oclusa em seus sonhos do governo perfeito gritando vivas a Lula, penso na direita amena, apontando inutilmente aos cegos que não querem ver as falhas de um governo não milagroso, de um homem que não é o “novo messias”, e penso na direita conservadora, ainda perdida na fuga incessante do tempo, este cavalo negro que trás a mudança e a morte aos seus olhos que se queriam fixos in aeternum.
Mas enquanto repercutem os brados, enquanto Lula continua no seu sonho tresloucado de virar história, enquanto as utopias e realidades se chocam, os cidadãos, para os quais essas medidas assistencialistas estão voltadas, sorriem, em sorrisos amarelos, à esmola de todo mês.
Nestas horas, lembro do nome do filme: “A luta pela Esperança”. Lembro dos basbaques que acreditam no futuro do país através de medidas paliativas e dos basbaques que pensam que os pobres não querem trabalhar e contentam-se conscientemente das migalhas de seus governos.
Neste país, durante toda sua história, uma grande parcela dos cidadãos foram enclausurados numa continua ignorância e pobreza, da qual, atualmente, de quatro em quatro anos, são fisgados por farelos deste grande bolo, que apenas a poucos é dado em grandes fatias.
Neste país, esperança e futuro é um privilégio, para a maioria ter o que comer é um sonho. Estes cidadãos que, ao longo dos anos, foram transformados num coletivo chamado povo, servindo as mais diversas finalidades como massa de manobra, não tem uma esperança, num almejam um futuro. Para eles, nunca foi explicado o significado da palavra liberdade. Para eles, cidadania é um substantivo sem sentido, “coisa de burguês”.
No brasil não há luta pela esperança. Temos uma guerra de idéias saídas de bancos universitários e filosofias escritas.
Enquanto nossos “pensadores” discutem de que lado o presidente está, direita-esquerda, baixo-cima, o menino mirrado do semáforo estende a mão para algumas moedas, atrapalhando o fluxo das grandes ideologias políticas.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 22h04
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Nosso egoísta amor!
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 22h02
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Porque amamos Telminha?
Telminha, personagem vivida por Grazielli Massafera na novela “Páginas da Vida”, tem causado enorme frisson na mentalidade masculina, na encenação de cortejo e fuga junto a Jorge, personagem vivido por Tiago Lacerda. Existe uma razão para tal, e esta razão é nossa idéia de amor.
Telminha nos apaixona.
Telminha é a última princesa da torre do castelo, a última virgem à espera do príncipe encantado em seu cavalo branco, é o nosso sonho idealizado da pureza feminina.
Telminha, em seus angelicais cachos louros, em seus vestidos de campônia indefesa e em seu recato de menina inocente, é a síntese de nosso amor platônico e patriarcal.
Telminha nos revela nossa incapacidade para amor e o extremo egoísmo com que tratamos a pessoa amada.
Não vemos nela uma pessoa, um ser dotado de vontades e desejos. O que vemos em Telminha é a concretização de nossas ambições, um objeto no qual imprimimos nossos desígnios amorosos.
A luxuria de Sandra, o arquétipo oposto, não nos impressionada pela sensualidade aflorada, nem nos assusta pela corrupção dos preceitos cristãos na figura do sexo exposto, mas sim, nos aterroriza porque reflete um ser dotado de vontades, que as impõe e as alcança, mesmo quando o custo da vitória é a superação da vontade alheia, que vemos como as nossas.
A nós, homens, a beleza e a pureza da personagem de Grazielli Massafera evidencia nossa incapacidade de entrega no amor.
Não amamos a Telminha, amamos a nós mesmos, ela é a concretização de nossos sonhos e desejos, a virgem ainda não tocada, o objeto vazio que espera ser preenchido, a negação de uma consciência alheia e a inexistência de outra vontade que não seja a nossa. Telminha é um elo de ligação entre nós e nós mesmos.
O nosso fascínio por ela não revela o homem romântico perdido na sociedade globalizada, revela, sim, o homem globalizado, impregnado de todo o individualismo competitivo da sociedade capitalista. Com Sandra, Personagem de Danielle Winnits, teríamos que competir, correríamos o risco de ceder, correríamos o risco de dar recebendo pouco ou nada em troca, correríamos o risco de amar em todo o sentido da palavra, no doar e ganhar. Com Telminha, temos uma vontade, temos um único ser, temos apenas a nós mesmos.
A personagem fictícia de Grazielli Massafera representa o que esperamos do amor: uma doação continua que não peça nada em troca, mas isto não é amor, e sim, apenas um desejo utópico nascido do nosso mais profundo egoísmo.
Mas Telminha existe, não como personagem de um autor, não como uma pessoa real, existe como o sonho egoísta e idealizado que nos impede da entrega por amor, como o sonho egoísta e idealizado que nos afasta do único sentido da palavra amar: doação, uma dar que não obriga, apenas espera receber. Mas contra isso, Telminha nos captura na eterna busca do objeto e recusa do sujeito.
Escrito por Deus e Buon Diavolo às 22h00
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